Dr. Rodrigo Jesus
Dr. Rodrigo Jesus
CRMSP 184694
← Voltar ao BlogCheck-up

Lp(a): O Risco Cardíaco Genético que Quase Ninguém Mede

Lipoproteína(a) eleva o risco de infarto independentemente do colesterol. Entenda o exame e os novos tratamentos em fase 3.

Dr. Rodrigo Jesus — CRM-SP 184694·24 de abril de 2026·7 min de leitura

O Risco Cardiovascular que Não Aparece no Colesterol Comum

Você fez seu colesterol e estava normal. Pressão controlada. Não fuma. Aparentemente, sem motivo para preocupação cardíaca. Ainda assim, infartos acontecem em pessoas com esse perfil "tranquilo" — e uma das principais explicações é um marcador que a maioria dos médicos nunca pediu: a lipoproteína(a), ou Lp(a).

O que é a Lp(a)?

A Lp(a) é uma partícula similar ao LDL (o "colesterol ruim"), mas com uma proteína extra chamada apolipoproteína(a). Essa diferença estrutural a torna especialmente perigosa por três razões:

Promove aterosclerose: (formação de placas nas artérias) de forma mais eficiente que o LDL comum

Favorece a formação de coágulos: (efeito pró-trombótico)

Causa inflamação crônica: na parede dos vasos

Como resultado, níveis elevados de Lp(a) aumentam significativamente o risco de infarto, AVC e estenose da válvula aórtica — independentemente do colesterol total ou LDL.

Por que É Tão Pouco Conhecida?

Três motivos práticos explicam o "esquecimento" da Lp(a) na rotina clínica:

1.

É geneticamente determinada: — 80-90% do nível é hereditário, e dieta praticamente não muda

2.

Por décadas não havia tratamento específico: — então pedir o exame parecia ter pouca utilidade prática

3.

Não fazia parte das diretrizes tradicionais: de check-up

Esse cenário está mudando rapidamente em 2026.

Quem Tem Lp(a) Elevada?

Estima-se que 1 em cada 5 adultos apresenta níveis significativamente elevados de Lp(a). Os perfis de maior suspeita:

Histórico familiar: de infarto, AVC ou morte súbita antes dos 55 anos (homens) ou 65 anos (mulheres)

Doença cardiovascular precoce: sem fatores de risco clássicos

Estenose aórtica: sem causa aparente

AVC isquêmico: em adultos jovens

A boa notícia: como é geneticamente determinada, basta um exame na vida para saber se você está no grupo de risco.

Como Interpretar o Resultado?

Os valores são reportados em nmol/L (preferível) ou mg/dL:

Abaixo de 75 nmol/L (~30 mg/dL): risco basal — sem aumento atribuível à Lp(a)

75-125 nmol/L: risco intermediário — atenção a outros fatores

125-250 nmol/L: risco aumentado — manejo agressivo dos demais fatores

Acima de 250 nmol/L: risco substancialmente elevado — candidato a terapias específicas quando disponíveis

Como Reduzir a Lp(a)?

Aqui está o ponto crítico: estatinas e dieta praticamente não mudam a Lp(a). Algumas estratégias têm efeito modesto:

Niacina (vitamina B3) em alta dose: — reduz Lp(a) em ~20-30%, mas com efeitos adversos relevantes

Aférese: (filtragem do sangue) — reduz drasticamente, mas é invasivo e caro

Inibidores de PCSK9: (como evolocumabe) — reduzem ~25%

Por isso, o foco para portadores de Lp(a) elevada é manejar agressivamente os outros fatores sob controle: LDL muito baixo, pressão otimizada, glicemia controlada, vida sem tabagismo.

A Revolução das Terapias Específicas

A maior mudança vem com o desenvolvimento de medicamentos baseados em silenciamento gênico que reduzem a produção da Lp(a) no fígado:

Pelacarsen

Oligonucleotídeo antisense (ASO) testado no estudo Lp(a) HORIZON, com 8.323 pacientes. Resultados de fase 3 esperados para o primeiro semestre de 2026, com submissão regulatória prevista para o segundo semestre. Reduz Lp(a) em até 80% com aplicação mensal.

Olpasiran

RNA pequeno de interferência (siRNA) testado no estudo OCEAN(a), com previsão de conclusão em dezembro de 2026. Reduz Lp(a) em mais de 90% com aplicação a cada 12-24 semanas.

Outros em Pipeline

Zerlasiran, lepodisiran e muvalaplina (oral) também estão em desenvolvimento avançado.

A grande pergunta ainda em aberto: reduzir a Lp(a) realmente reduz infartos e AVCs? Os ensaios de desfechos clínicos responderão isso entre 2026 e 2027.

Por que Pedir o Exame Agora?

Mesmo com terapias ainda em desenvolvimento, conhecer seu nível de Lp(a) muda a conduta clínica:

Define agressividade no manejo de **LDL** (alvo mais baixo se Lp(a) alta)

Justifica **rastreamento mais precoce** de doença cardiovascular subclínica (como o escore de cálcio coronariano)

Permite **planejamento familiar** — Lp(a) é hereditária, então parentes diretos devem ser testados

Posiciona o paciente para **acesso rápido às novas terapias** quando aprovadas

Na Prática Clínica

A Lp(a) deveria fazer parte do check-up de qualquer adulto com histórico familiar de doença cardiovascular precoce — e idealmente, ao menos uma vez na vida, de qualquer adulto.

Em nossa clínica em Alphaville, integramos a Lp(a) ao painel cardiovascular avançado, junto com PCR ultrassensível, ApoB e escore de cálcio coronariano. Identificar risco genético cedo é o primeiro passo para impedir um infarto que parecia "sem explicação".

---

*Disclaimer: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Agende uma avaliação para orientação individualizada.*

*Dr. Rodrigo Jesus — CRM-SP 184694 | RQE 130352 | Clínica em Alphaville, Barueri-SP*

Lp(a)lipoproteína(a)risco cardiovascularpelacarsenolpasiranprevenção cardíacacheck-up

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um profissional de saúde.

Escrito e revisado por Dr. Rodrigo Jesus — CRM-SP 184694 | RQE 130352 | Clínica em Alphaville, Barueri-SP

Quer investigar sua saúde com profundidade?

Agende uma avaliação completa em Alphaville.

Agendar Consulta